domingo, 5 de outubro de 2014

Admirável Gado Novo





Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal...
E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou...!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Eu e o mundo

Olhando o mundo, vejo dentro de mim.
O mundo me muda, enquanto eu mudo o mundo.
A mudança me deixa muda. 
Perplexa. 
Me ver refletida nele. 
Me ouvir na fala deles. 
Me entender vivendo ele. 
Ele, mundo
Eles, eles.
Viver por uma causa
Sorrir por um sorriso 
Transceder
A cada amanhecer.
Agradecer.

Por: Eduarda Barbosa
 
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
o caminho mais curto, produto que rende mais
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
um tiro certeiro, modelo que vende mais


mas nós dançamos no silêncio
choramos no carnaval 
não vemos graça nas gracinhas da TV
morremos de rir no horário eleitoral



seria mais fácil fazer como todo mundo faz
sem sair do sofá, deixar a Ferrari pra trás
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
o milésimo gol sentado na mesa de um bar



mas nós vibramos em outra freqüência
sabemos que não é bem assim
se fosse fácil achar o caminho das pedras
tantas pedras no caminho não seria ruim



mas nós vibramos em outra freqüência
sabemos que não é bem assim
se fosse fácil achar o caminho das pedras
tantas pedras no caminho não seria ruim



seria mais fácil fazer como todo mundo faz



quinta-feira, 3 de abril de 2014

Olhar pela janela e ver
O sol querendo respirar
Ou ir até a praia e ser
Mais um na multidão tentando se afogar
Nas falhas tentativas de entender
O mundo em seu estado mais normal
E na ilusão de um dia ter um abraço
Sem motivo especial
Tá vendo aquela estrela solitária ali no céu
É o espelho um reflexo de alguém que se perdeu
É a chama da esperança
De um ser que se apagou
O olhar de uma criança
Rejeitada e sem amor
São milhões de brasileiros
Que não tem pra onde correr
Mas que correm contra o tempo
Pra no fim poder comer
Engolem tudo a seco com a sede de vencer
Mas que tempo vagabundo
Que escolheram pra eu nascer
Tá vendo aquela estrela sorridente ali no céu
São sussurros e pedidos
De alguém que acreditou
Que um dia acabaria esse teatro, esse papel de um palhaço
Interpretando a falsidade de um ator

quinta-feira, 27 de março de 2014

Paulo Freire

"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade."

Qualquer coisa

https://www.youtube.com/watch?v=CqYE_aostvs


Esse papo já tá qualquer coisa
Você já tá pra lá de Marraqueche
Mexe
Qualquer coisa dentro, doida
Já qualquer coisa doida
Dentro mexe
Não se avexe não
Baião de dois
Deixe de manha, 'xe de manha, pois
Sem essa aranha! Sem essa aranha!
Sem essa, aranha!
Nem a sanha arranha o carro
Nem o sarro aranha a Espanha
Meça: Tamanha!
Meça: Tamanha!
Esse papo seu já tá de manhã.
Berro pelo aterro
Pelo desterro
Berro por seu berro
Pelo seu erro
Quero que você ganhe
Que você me apanhe.
Sou o seu bezerro
Gritando mamãe.
Esse papo meu tá qualquer
coisa
E você tá pra lá de Teerã

domingo, 23 de março de 2014

Eu canto para quem?




Eu ando pelo mundo prestando atenção em core que eu não sei o nome, cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores! Passeio pelo escuro, eu presto muita atenção no que meu irmão ouve e como uma segunda pele um calo, uma casca, uma cápsula protetora. Ai, Eu quero chegar antes pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus. Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone e vendo doer a fome nos meninos que têm fome. Pela janela do quarto, pela janela do carro, pela tela, pela janela, quem é ela? Quem é ela? Eu vejo tudo enquadrado, remoto controle. Eu ando pelo mundo e os automóveis correm, para quê? As crianças correm para onde? Transito entre dois lados, de um lado eu gosto de opostos, exponho o meu modo, me mostro, eu canto para quem? E meus amigos, cadê? Minha alegria, meu cansaço, meu amor, cadê você? Eu acordei, não tem ninguém ao lado.

quarta-feira, 19 de março de 2014

O Rei da Palavra

 



Quantas palavras lindas e gordas
Vão se derramar em vão?
Sem que se saiba para o que servem
Ou para aonde vão
Para um brilhante colar de palavras
Que só faz pesar
Às vezes o rei da língua e da lábia
Tem que saber calar

Quantas palavras fortes e doídas
Vão se debruçar sobre alguém
Reabrindo velhas feridas
Que já cicatrizavam bem
Cheias de vã certezas
De tanta coesão
Às vezes até o rei da razão
Tem que saber calar

Pra nao sair ferido esta é a condição
Saber ser mais ouvido é um dom
"Não, eu não disse isto"
Disse, e não tem volta
Às vezes até o rei da revolta
Tem que saber calar

Quantas palavras fortes e doídas
Vão se debruçar sobre alguém
Reabrindo velhas feridas
Que já cicatrizavam bem
Cheias de vã certezas
De tanta coesão
Às vezes até o rei da razão
Tem que saber calar

Pra não sair ferido esta é a condição
Saber ser mais ouvido é um dom
"Não, eu não disse isto"
Disse, e não tem volta
Às vezes até o rei da revolta
Tem que saber calar

Um líder frente à revolução
Tem que saber calar
Um Deus que assiste a evolução
Tem que saber calar
O verdadeiro rei da palavra
Valoriza o som
Fala como quem ja compreendeu
Que o silencio é bom

sábado, 15 de março de 2014

sábado, 8 de março de 2014

Conte Comigo

Se algum dia você se encontrar presa bem no meio do mar
Eu velejarei pelo mundo todo para te encontrar
Se algum dia você se encontrar perdida na escuridão, e
Não puder ver
Eu serei a luz a te guiar

Descubra do que somos feitos
Quando nos chamam para ajudar nossos amigos necessitados

Você pode contar comigo como um, dois, três
Eu estarei lá
E sei que quando eu precisar, posso contar com você como
Quatro, três, dois
E você estará lá
Porque é isso que os amigos devem fazer
Oh sim

Wooooh, wooooh

Se você estiver se sacudindo e se virando
E você simplesmente não consegue adormecer
Eu vou cantar uma canção ao seu lado
E se você esquecer o quanto você significa para mim
Todos os dias eu vou lembrá-la
Oh
Descubra do que somos feitos
Quando nos chamam para ajudar nossos amigos necessitados

Você pode contar comigo como 1 2 3
Eu estarei lá
E sei que quando eu precisar, posso contar com você como
Quatro, três, dois
E você estará lá
Porque é isso que os amigos devem fazer
Oh sim

Wooooh, wooooh

Você sempre terá o meu ombro quando você chorar
Eu nunca vou te deixar, nunca vou dizer adeus

Você pode contar comigo como 1 2 3
Eu estarei lá
E sei que quando eu precisar, posso contar com você como
Quatro, três, dois
E você estará lá
Porque é isso que os amigos devem fazer
Oh sim

Wooooh, wooooh

Você pode contar comigo porque eu posso contar com você

quarta-feira, 5 de março de 2014

Pra Manter ou Mudar - Móveis Coloniais de Acaju

Tudo que eu queria dizer
Alguém disse antes de mim
Tudo que eu queria enxergar
Já foi visto por alguém

Nada do que eu sei me diz quem eu sou
Nada do que eu sou de fato sou eu?

Tudo que eu queria fazer
Alguém fez antes de mim
Tudo que eu queria inventar
Foi criado por alguém

Nada do que eu sou me diz o que eu sei
Nada do que eu sei de fato é meu?

Algo explodiu no infinito
Fez de migalhas
Um céu pontilhado em negrito
Um ponto meu mundo girou
Pra criar num minuto
Todas as coisas que são
Pra manter ou mudar

Sempre que eu tento acabar
Já desisto antes do fim
Sempre que eu tento entender
Nada explica muito bem

Sempre a explicação me diz o que eu sei:
"Sempre que eu sei, alguém me ensinou"

Algo explodiu no infinito
Fez de migalhas
Um céu pontilhado em negrito
Um ponto meu mundo girou
Pra criar num minuto
Todas as coisas que são
Pra manter ou mudar

Agora reinvento
E refaço a roda, fogo, vento
E retomo o dia, sono, beijo
E repenso o que já li
Redescubro um livro, som, silêncio
Foguete, beija-flor no céu,
Carrossel, da boca um dente
Estrela cadente

Tudo que irá existir
Tem uma porção de mim
Tudo que parece ser eu
É um bocado de alguém

Tudo que eu sei me diz do que sou
Tudo que eu sou também será seu

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014



Um índio contando uma história
Um branco querendo escutar
Um branco olhando para dentro
Pra com o índio colaborar.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Imagine



Imaginar

Imagine Não Haver o paraíso
E Fácil se tentar Você.
Nenhum inferno abaixo de Nós
Acima de nós, só o Céu

Imaginem Todas as PESSOAS
Vivendo o Presente

Imagine que não houvesse nenhum País
Não é Difícil Imaginar
Nenhum Motivo para matar ou Morrer
E nem religião, também

Imagine Todas as PESSOAS
Vivendo uma Vida em Paz

Você pode dizer que sou um sonhador
Mas eu Não sou o Único
Espero Que Um Dia Você  Junte-se a NÓS
E O Mundo Será, será Como Um Só

Imagine que não há posses 
E Eu me pergunto se Você. PODE
Sem a necessidade de Ganância ou fome
Uma irmandade dos Homens

Imaginem Todas as PESSOAS
Partilhando TODO O Mundo

Você pode dizer que sou um sonhador
Mas eu Não sou o Único
Espero Que Um Dia Você. Junte-se a NÓS










Papel em Branco






Entre começos e recomeços
Sempre existirá uma folha em branco
Para escrever todos os tropeços
Para rolar por todos os barrancos

Entre risos e compromissos
Sempre haverá uma caneta em mãos
Para fazer os rabiscos
Para de tudo lançar mão

Entre tantos massos vazios
Aquela sensação de que eu sou o som da canção
E assim eu me lanço no balanço do assobio 
E o que ritma é o batuque do meu coração.

Elas




Foi tão logo, mas de tão longo se fez ontem 
O ontem que no amanha trará sorrisos
Foi tão lindo, mas de tão belo se fez retrato
O retrato que no álbum trará suspiros
Foi tão infinito, mas de tão curto se fez memória
A memória que no trajeto trará ensinos 
Diante do infinito que se apresenta

Fecho os olhos e já me passa um filme do que foi
Foi ensino, foi duro, foi demais
Foi crescer, foi florescer e foi renascer
Foi lágrima, foi sorriso e arrepio

Diante do sentimento que se aprofunda
Me faço pequena ao não conter tudo que sinto
Me faço grande ao guarda-las no caminho da vida
E pra vocês deixo e levo o melhor que há
O prazer de ter e ser amigas!